O estado de São Paulo se prepara para um importante movimento de saúde pública: a Campanha de Multivacinação, que terá início na próxima segunda-feira, 3 de agosto. A iniciativa abrangerá todos os 645 municípios paulistas, com um foco primordial na proteção de crianças e adolescentes. A mobilização é direcionada a menores de 15 anos, buscando atualizar o esquema vacinal e garantir a imunidade contra diversas doenças.
Em um esforço adicional para conter o avanço do sarampo, as cidades de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo terão uma frente ampliada. Nessas localidades, a campanha também incluirá pessoas de 6 meses a 59 anos, visando o reforço da vacinação contra o sarampo, uma doença que tem demonstrado sinais preocupantes de ressurgimento no estado.
Abrangência e calendário da imunização em São Paulo
A campanha de multivacinação é um pilar fundamental para a saúde coletiva, especialmente em um cenário onde a cobertura vacinal de algumas doenças tem apresentado quedas. Para participar, pais e responsáveis devem levar crianças e adolescentes aos postos de vacinação, munidos da caderneta de vacinação. Este documento é essencial para que as equipes de saúde possam verificar quais doses estão em atraso ou são indicadas conforme a faixa etária e o histórico vacinal de cada indivíduo.
A lista de imunizantes disponíveis é vasta e abrange as principais vacinas do Calendário Nacional de Vacinação, protegendo contra uma série de enfermidades graves. Entre as vacinas oferecidas estão: BCG, hepatite B, pentavalente, poliomielite inativada, rotavírus, pneumocócica 10-valente, meningocócica C, meningocócica ACWY, influenza, Covid-19, febre amarela, tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), varicela, DTP, hepatite A e HPV. A disponibilidade desses imunizantes em um único período facilita o acesso e incentiva a regularização da situação vacinal da população.
Alerta contra o sarampo: casos e estratégia de reforço
A preocupação com o sarampo é um dos motores da estratégia ampliada de vacinação em algumas das maiores cidades do estado. Nesta quinta-feira, 30 de julho, o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) de São Paulo confirmou o 15º caso de sarampo no estado em 2026. O registro mais recente, em Guarulhos, envolveu uma criança sem histórico de vacinação contra a doença, acendendo um alerta sobre a importância da imunização.
Nas cidades de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, a vacina tríplice viral, que confere proteção contra sarampo, caxumba e rubéola, será prioritária. Para crianças de 6 a 11 meses e 29 dias, a aplicação será considerada uma “dose zero”. É crucial ressaltar que essa dose não substitui as aplicações previstas no Calendário Nacional de Vacinação aos 12 e aos 15 meses, sendo um reforço adicional em um período de maior vulnerabilidade.
Dados preliminares de 2026, divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde, indicam que a cobertura da primeira dose da tríplice viral no estado está em 77,5%, enquanto a segunda dose atinge apenas 65,5%. Esses números estão significativamente abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde, que é de 95% para cada uma das doses. A baixa cobertura aumenta o risco de surtos, tornando a campanha atual ainda mais vital.
Tatiana Lang, diretora do CVE, enfatiza a urgência da situação: “A atualização da caderneta é fundamental para proteger crianças e adolescentes contra doenças imunopreveníveis. Diante do cenário do sarampo, a estratégia ampliada nos três municípios busca aumentar rapidamente a proteção da população e reduzir o risco de transmissão”. Sua declaração sublinha a importância da participação ativa da comunidade para o sucesso da campanha e a proteção coletiva.
A importância da caderneta de vacinação e a proteção coletiva
A caderneta de vacinação é mais do que um simples registro; é um documento essencial que acompanha o histórico de saúde de cada indivíduo desde o nascimento. Manter esse registro atualizado é um ato de responsabilidade individual que se reflete diretamente na saúde pública. A imunização em massa cria uma barreira contra a proliferação de doenças, protegendo não apenas quem recebe a vacina, mas também aqueles que, por motivos de saúde, não podem ser imunizados, como bebês muito novos ou pessoas com sistemas imunológicos comprometidos.
Campanhas como a de multivacinação em São Paulo são cruciais para reverter a queda nas taxas de cobertura vacinal observada nos últimos anos, um fenômeno que tem permitido o ressurgimento de doenças já controladas. Ao levar seus filhos para vacinar, os pais contribuem ativamente para a erradicação de enfermidades e para a construção de uma sociedade mais saudável e resiliente.
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