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Brasil entre os menos eficientes em estudo premiado sobre saúde na América Latina

Brasil entre os menos eficientes em estudo premiado sobre saúde na América Latina
Fernando Frazão/Agência Brasil

Um estudo aprofundado, recentemente premiado internacionalmente, lançou luz sobre a eficiência dos sistemas de saúde em 23 países da América Latina e Caribe. A pesquisa, conduzida pelo Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde do Departamento de Engenharia Industrial da PUC-Rio, revelou um cenário complexo, onde o Brasil se destaca negativamente, figurando consistentemente entre as nações com menor eficiência relativa no uso de seus recursos.

A análise comparativa, que abrangeu um período de dez anos, buscou responder a questões cruciais sobre quais países da região possuem sistemas de saúde mais eficientes, quais fatores contribuem para esse desempenho e como a eficiência evoluiu ao longo do tempo. Os resultados, que renderam ao artigo o prêmio de ‘artigo do ano’ da renomada revista Value in Health Regional Issues em 2026, oferecem um panorama detalhado para formuladores de políticas públicas.

Radiografia da eficiência: o panorama da saúde na América Latina

A pesquisa identificou que 13 dos 23 países avaliados operam com eficiência em seus sistemas de saúde. Desses, dez conseguiram manter esse desempenho exemplar durante todo o período de uma década analisado. Entre os países que se destacaram positivamente estão Belize, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Guatemala, Honduras, Jamaica, México e Peru, demonstrando uma capacidade notável de otimizar seus recursos para alcançar bons resultados em saúde.

Em contraste, quatro nações não atingiram o grau de eficiência definido pelo estudo em nenhum momento ao longo dos dez anos: Barbados, Nicarágua, Uruguai e, notavelmente, o Brasil. A análise temporal ainda mostrou que, embora quatro países tenham melhorado sua eficiência, seis apresentaram piora e 13 permaneceram estáveis. O Brasil, em particular, foi o único a figurar entre os três menos eficientes em três anos distintos da pesquisa, sublinhando um desafio persistente.

O desafio da eficiência em saúde no Brasil

A posição do Brasil no ranking de eficiência merece atenção especial. O estudo aponta que o sistema de saúde brasileiro, apesar de não ser ineficaz em termos absolutos ou de apresentar maus resultados, utiliza um volume de recursos relativamente maior do que outros países da região para atingir níveis semelhantes de expectativa de vida e mortalidade infantil. Isso significa que, embora haja investimentos significativos em gastos com saúde, número de leitos hospitalares, médicos e enfermeiros, a relação entre o que é investido e o que é obtido em termos de resultados é menos favorável.

O principal problema, segundo os pesquisadores, reside na eficiência da utilização dos recursos disponíveis, e não na insuficiência de investimentos. A ineficiência não pôde ser atribuída a uma única variável, mas sim a uma combinação de fatores ligados à organização e à gestão do sistema de saúde. É importante ressaltar que a metodologia empregada considerou um conjunto limitado de indicadores, não incorporando aspectos como desigualdades regionais, dimensão territorial, perfil epidemiológico e características específicas do sistema de saúde brasileiro, que também podem influenciar esse desempenho.

Metodologia premiada e o reconhecimento científico

A robustez da pesquisa é evidenciada pela metodologia híbrida utilizada, que combinou a análise envoltória de dados (DEA, da sigla em inglês) com a regressão tobit. A DEA é uma técnica de programação matemática não paramétrica que permite avaliar a eficiência relativa de unidades produtivas, neste caso, os países latino-americanos. A regressão tobit, por sua vez, foi empregada para medir as variáveis relacionadas com o score de eficiência.

Para os cálculos, foram utilizados os dados mais recentes disponíveis (2017) do Banco Mundial. As variáveis de entrada incluíram gastos com saúde, número de leitos hospitalares por mil habitantes, médicos por mil habitantes e enfermeiros por mil habitantes. Como variáveis de saída, foram consideradas a expectativa de vida ao nascer e a taxa de mortalidade infantil. O reconhecimento do estudo, premiado em um evento na Filadélfia, nos Estados Unidos, destaca seu impacto relevante na área da saúde e sua contribuição para o debate global sobre a otimização de sistemas de saúde. Para mais detalhes sobre a publicação, pode-se consultar a revista Value in Health Regional Issues.

Investimento global e a busca por otimização na saúde

Os serviços de saúde são pilares fundamentais para o funcionamento de qualquer sociedade, recebendo investimentos vultosos para incorporar tecnologias, modernizar equipamentos e medicamentos, e ampliar o acesso da população. Dados do Banco Mundial indicam que, em 2020, o investimento mundial em saúde superou 9 trilhões de dólares, correspondendo a cerca de 11% do PIB mundial. Mesmo com variações significativas devido à pandemia de Covid-19, os gastos per capita com saúde aumentaram aproximadamente 70% entre o início da década de 1990 e 2010.

Contudo, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alerta que investir mais não garante, por si só, melhores resultados. A organização enfatiza que ainda há um vasto espaço para aumentar a eficiência dos gastos em saúde, estimando que ganhos de eficiência poderiam elevar a expectativa de vida ao nascer em até dois anos. A eficiência, neste contexto, é definida pela capacidade de alcançar melhores resultados com os recursos disponíveis ou, alternativamente, obter os mesmos resultados com menor utilização de recursos. Esse monitoramento contínuo é crucial para formuladores de políticas públicas, visando otimizar resultados e promover a sustentabilidade financeira rumo à cobertura universal.

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