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Polícia investiga negligência em morte de bebê asfixiado em creche no centro de São Paulo

Polícia investiga negligência em morte de bebê asfixiado em creche no centro de São Paulo
Reprodução G1

Investigação sobre a rotina na creche Luz do Brás

A Polícia Civil de São Paulo intensificou as investigações sobre a morte de Abdoulaye Dieng, de apenas 1 ano e 4 meses, ocorrida na última quarta-feira (22). O bebê faleceu após sofrer uma asfixia mecânica ao prender a cabeça em uma grade de proteção em uma sala multiuso da creche Luz do Brás, localizada no centro da capital paulista. O caso, registrado inicialmente como homicídio culposo — quando não há intenção de matar —, agora busca determinar se houve falha na vigilância dos alunos.

O foco central da apuração do 8º Distrito Policial (Brás) é uma denúncia grave que circula entre os familiares e a comunidade escolar: a suspeita de que crianças teriam ficado sem a supervisão adequada no momento do acidente. Relatos indicam que funcionários da unidade estariam participando de uma festa de aniversário nas dependências da escola. Para confirmar a veracidade dessas informações, a polícia requisitou as imagens das câmeras de segurança da instituição.

O relato das câmeras e o socorro

As primeiras análises das gravações revelam uma cena dramática. Abdoulaye, que participava de atividades em uma sala multiuso, aproximou-se de um espelho equipado com uma barra metálica de proteção. O menino deitou-se no chão e acabou com a cabeça presa no vão entre a estrutura e o espelho. Segundo os investigadores, a criança permaneceu naquela posição por cerca de seis minutos antes de ser socorrida pelas monitoras.

A Polícia Militar foi acionada por volta das 9h20, após ser abordada por funcionárias que saíam da unidade carregando a criança. Apesar do encaminhamento imediato para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Mooca, o menino não resistiu. O pai da criança, o vendedor senegalês Ibrahima Dieng, que reside no Brasil há oito anos, relatou a dor de ter deixado o filho na unidade às 7h30 e receber a notícia da tragédia pouco tempo depois.

Denúncias de falta de pessoal e sobrecarga

O caso reacendeu um debate crítico sobre a qualidade do atendimento nas creches conveniadas. Pais de outros alunos afirmam que a falta de profissionais era uma queixa recorrente. Lhayss Rodrigues de Sousa, que possui parentes matriculados na mesma unidade, relatou ter procurado a direção diversas vezes para alertar sobre a sobrecarga das monitoras, que, segundo ela, chegavam a cuidar de até 15 crianças sozinhas.

A Secretaria Municipal da Educação informou, por meio de nota, que instaurou um procedimento administrativo para apurar os fatos. O órgão declarou que, caso sejam confirmadas irregularidades, medidas severas serão tomadas, incluindo o possível descredenciamento da organização parceira responsável pela creche. O Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem (NAAPA) está prestando suporte psicológico à família e acompanhando a situação na unidade, que permanece em funcionamento, embora a sala do incidente esteja interditada para perícia.

A perda de Abdoulaye Dieng deixa um vazio profundo e levanta questionamentos sobre a segurança infantil em ambientes educacionais. O M1 Metrópole segue acompanhando o desenrolar das investigações e os desdobramentos administrativos deste caso, mantendo o compromisso de levar aos nossos leitores informações apuradas e relevantes sobre o cotidiano da cidade. Continue acompanhando nosso portal para atualizações sobre este e outros temas de interesse público.

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