A comunidade de São Paulo e o país acompanham com consternação a investigação sobre a trágica morte de Abdoulaye Dieng, um bebê de apenas 1 ano e 4 meses, ocorrida na Creche Luz do Brás, na região central da capital paulista. O pequeno Abdoulaye faleceu por asfixia após prender a cabeça em uma grade dentro da unidade. O caso, registrado como homicídio culposo, mobiliza a Polícia Civil e levanta sérias questões sobre a segurança e a supervisão em ambientes de cuidado infantil.
O sepultamento do menino está marcado para a tarde desta sexta-feira (24), no Cemitério Islâmico de Guarulhos, na Grande São Paulo. A cerimônia segue os rituais do islamismo, com aproximadamente duas horas de orações, um momento de profunda dor e despedida para a família e amigos.
A investigação da morte do pequeno Abdoulaye
A Polícia Civil, por meio do 8º Distrito Policial (Brás), está à frente da apuração dos fatos que levaram à morte do bebê. Segundo as investigações preliminares, Abdoulaye participava de uma atividade em uma sala multiuso da creche quando se aproximou de um espelho que era protegido por uma barra metálica. Imagens das câmeras de segurança, cruciais para o inquérito, mostram o menino deitando no chão e colocando a cabeça no vão entre a barra de ferro e o espelho.
Os investigadores relatam que a criança tentou se soltar por cerca de seis minutos, um período angustiante que precedeu a percepção das monitoras sobre o ocorrido. Somente após esse tempo, Abdoulaye foi retirado da situação. Uma equipe da Polícia Militar foi acionada por volta das 9h20, quando funcionários da unidade já estavam socorrendo o bebê para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Mooca. Apesar dos esforços da equipe médica, o óbito foi confirmado na unidade de saúde, deixando a família em desespero.
A dor da família e as denúncias de pais
Ibrahima Dieng, pai de Abdoulaye, um vendedor senegalês que reside no Brasil há oito anos, relatou a angústia de deixar o filho na creche pela manhã e receber a notícia do acidente cerca de uma hora e meia depois. Emocionado, ele descreveu o impacto devastador da perda na família. “Tem que chorar, chorar muito assim, é triste”, desabafou Ibrahima, mencionando que a mãe do menino passou mal ao receber a notícia, evidenciando a profundidade do luto.
A tragédia ganhou um contorno ainda mais preocupante com as denúncias de outros pais sobre a suposta falta de profissionais na creche. Lhayss Rodrigues de Sousa, que tem uma filha e um sobrinho na mesma instituição, afirmou que a equipe era insuficiente. Ela relatou que a professora da sala do bebê, onde seu sobrinho ficava, estava afastada por doença, resultando em situações onde uma única professora cuidava de 12 a 15 crianças. Lhayss disse ter procurado a diretora em diversas ocasiões para reclamar da sobrecarga e da falta de apoio, alertando para os riscos iminentes.
Repercussão e medidas das autoridades
Diante da gravidade do caso, as Secretarias de Segurança Pública (SSP), Municipal de Educação (SME) e Municipal da Saúde (SMS) emitiram notas. A SSP confirmou que policiais militares foram abordados por funcionários da creche enquanto a criança já estava sendo socorrida. A SME lamentou profundamente o ocorrido, manifestou solidariedade aos familiares e informou que equipes da Diretoria Regional de Educação e do Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem (NAAPA) estão prestando suporte à família.
A SME também assegurou que as circunstâncias da ocorrência no CEI parceiro Luz do Brás estão sendo rigorosamente apuradas pelos órgãos competentes, com total colaboração da secretaria nas investigações. A SMS, por sua vez, confirmou que a criança recebeu atendimento na UPA Mooca, mas não resistiu. O local do incidente foi preservado para perícia do Instituto de Criminalística, e um exame necroscópico foi solicitado ao Instituto Médico Legal (IML) para determinar a causa exata da morte. Cinco profissionais da creche, incluindo coordenadoras, diretora e pedagogas, estão entre os investigados e já foram ouvidos pela polícia.
A segurança em creches e a responsabilidade coletiva
A morte de Abdoulaye Dieng reacende o debate sobre a segurança em instituições de ensino infantil e a importância de fiscalização rigorosa. Casos como este sublinham a necessidade de um número adequado de profissionais por criança, a manutenção de ambientes seguros e a implementação de protocolos de emergência eficazes. A confiança depositada pelos pais nas creches exige um compromisso inabalável com a proteção e o bem-estar dos pequenos, garantindo que tais tragédias não se repitam. É fundamental que as autoridades e as instituições de ensino trabalhem em conjunto para assegurar que os espaços onde as crianças passam grande parte do dia sejam verdadeiros refúgios de cuidado e desenvolvimento.
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