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Justiça de São Paulo exige resposta da prefeitura sobre terceirização de escolas em 72 horas

Justiça de São Paulo exige resposta da prefeitura sobre terceirização de escolas em 72 horas
Reprodução G1

A Justiça de São Paulo acolheu uma ação popular que contesta o edital da Prefeitura de São Paulo para a gestão de três escolas municipais por Organizações da Sociedade Civil (OSCs). A decisão, proferida nesta terça-feira (21), estabelece um prazo de 72 horas para que a administração municipal se manifeste sobre o questionamento. Este movimento judicial coloca em xeque um modelo de parceria que a gestão Ricardo Nunes (MDB) busca expandir na rede de ensino da capital paulista.

A ação, movida por parlamentares do PSOL, foi protocolada no mesmo dia em que o edital foi publicado, evidenciando a rápida reação da oposição à medida. A magistrada responsável pelo caso considerou que a petição inicial preenche os requisitos legais para o processamento, dando andamento a um debate que promete ser central para o futuro da educação pública na cidade.

Tramitação da ação popular e os próximos passos

Com a aceitação da ação, o processo judicial segue um rito específico. Após a manifestação da Prefeitura de São Paulo — ou a ausência dela dentro do prazo estipulado de 72 horas —, o caso será encaminhado ao Ministério Público. O órgão terá a responsabilidade de emitir um parecer sobre o pedido de urgência formulado pelos autores da ação.

Somente depois dessa etapa, com o retorno dos autos ao juiz, será tomada uma decisão sobre a liminar solicitada. Uma liminar, se concedida, poderia suspender temporariamente os efeitos do edital, impedindo que a prefeitura avance com a seleção das OSCs até que o mérito da questão seja julgado. Este trâmite sublinha a seriedade do questionamento e a necessidade de uma análise aprofundada sobre a legalidade e a conveniência do modelo proposto.

O modelo de gestão por OSCs e o investimento previsto

O edital da Prefeitura de São Paulo visa selecionar Organizações da Sociedade Civil para assumir a gestão de três novas escolas municipais de ensino fundamental. As unidades estão localizadas nas regiões de Parelheiros, Pedreira e Jaraguá, áreas que frequentemente demandam maior atenção em infraestrutura e serviços públicos. A proposta prevê contratos iniciais de cinco anos, com um investimento estimado em R$ 102,8 milhões para as três instituições.

Segundo a administração municipal, as escolas continuarão sendo públicas e gratuitas, integrando a rede municipal de ensino. A iniciativa é apresentada como uma ampliação de um modelo já adotado com sucesso no Liceu Coração de Jesus, no Centro da capital, que desde 2022 opera em parceria com a prefeitura. Neste formato, as OSCs seriam responsáveis por uma vasta gama de atividades, desde a execução pedagógica e administrativa até a manutenção da infraestrutura, incluindo a contratação de diretores, coordenadores, professores e demais funcionários, além de limpeza, vigilância e aquisição de materiais.

Controvérsia: privatização ou otimização da gestão?

A medida, no entanto, é alvo de forte oposição. A vereadora Silvia Ferraro, do PSOL, classifica a iniciativa como um “projeto de privatização da rede municipal de ensino”. Em sua argumentação, a parlamentar sustenta que o modelo viola dispositivos constitucionais que regem a destinação de recursos públicos para a educação, além de ir contra a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que preconiza que escolas públicas devem ser mantidas e administradas pelo poder público.

A vereadora enfatiza que problemas de desempenho educacional, embora relevantes, não justificam a adoção de um formato que, em sua visão, desresponsabiliza o poder público. “É inaceitável que, sob o pretexto de melhorar o ensino, a prefeitura se exima de suas responsabilidades e transforme a educação municipal em um serviço lucrativo para a iniciativa privada, o que é ilegal”, declarou Ferraro. A discussão levanta questões fundamentais sobre o papel do Estado na educação e os limites da colaboração com o terceiro setor, especialmente quando envolve a gestão integral de unidades de ensino.

Impacto e a relevância do debate sobre terceirização escolas

Enquanto a Secretaria Municipal da Educação afirma que manterá a definição da política educacional, a supervisão pedagógica e as avaliações de aprendizagem, além de continuar responsável pela alimentação escolar, transporte de alunos e distribuição de uniformes e materiais didáticos, a preocupação dos críticos reside na transferência da gestão do corpo docente e da infraestrutura para entidades privadas. Este ponto é crucial, pois afeta diretamente a autonomia pedagógica, as condições de trabalho dos profissionais da educação e a própria identidade da escola pública.

O desfecho desta ação popular terá implicações significativas não apenas para as três escolas em questão, mas para o modelo de gestão da educação pública em São Paulo e, potencialmente, em outras cidades brasileiras. A decisão judicial será um balizador importante para o debate sobre os limites e as possibilidades das parcerias público-privadas no setor educacional, um tema de constante discussão e que afeta diretamente milhões de estudantes e suas famílias.

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