O cenário político fluminense ganha um novo contorno com a recente definição do Republicanos, que anunciou Anthony Garotinho como seu pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro. A decisão, divulgada nesta segunda-feira, 20 de julho de 2026, ocorre após uma disputa interna e um processo de escolha que, segundo o partido, foi unânime e embasado em pesquisas eleitorais. Garotinho, que já ocupou o cargo de governador entre 1999 e 2002, retorna ao centro do debate eleitoral com um discurso de reconstrução para um estado que, em suas palavras, enfrenta uma “falência administrativa, moral e política”.
A escolha de Garotinho representa um movimento estratégico do Republicanos, que optou por um nome com histórico e reconhecimento no eleitorado fluminense. Ele superou André Português, ex-prefeito de Miguel Pereira (RJ), na disputa interna. A reunião que selou a candidatura ocorreu no sábado anterior, dia 18 de julho, e a convenção do partido no estado está marcada para o próximo sábado, 25 de julho, onde a pré-candidatura será formalizada.
A Trajetória Política de um Veterano Fluminense
A figura de Anthony Garotinho é intrinsecamente ligada à política do Rio de Janeiro e, em menor medida, à cena nacional. Sua carreira começou no norte fluminense, como prefeito de Campos dos Goytacazes. Sua primeira tentativa de alcançar o governo do estado foi em 1994, quando foi derrotado por Marcello Alencar. Quatro anos depois, em 1998, elegeu-se governador pelo PDT, consolidando sua influência.
Em 2002, Garotinho renunciou ao mandato para concorrer à Presidência da República pelo PSB, ficando em terceiro lugar na disputa. Sua saída abriu caminho para que sua vice, Benedita da Silva (PT), assumisse o governo. Posteriormente, sua esposa, Rosinha Garotinho, também foi eleita governadora, administrando o estado entre 2003 e 2006. Essa alternância de poder dentro da família e a longevidade de sua presença na política estadual demonstram a força de seu capital político, apesar das controvérsias.
Estratégia de Visibilidade e Anulação de Condenação
Nos meses que antecederam o anúncio de sua pré-candidatura, Garotinho adotou uma estratégia de comunicação agressiva, marcando presença em podcasts e cortes de vídeo que viralizaram nas redes sociais. Nesses espaços, ele afirmou ter acesso a informações sigilosas sobre investigações da Polícia Federal envolvendo figuras políticas do Rio e do Brasil. Um dos episódios de maior repercussão foi sua menção a um suposto vídeo da “noite das astronautas”, que teria sido promovido pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com a participação de “deputados, senadores, governadores e homens que defendem a família”.
A repercussão dessa afirmação ganhou ainda mais força quando a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro repostou um dos cortes, em meio a um conflito com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A postagem de Michelle, com a frase “a verdade de Jesus Cristo vai prevalecer”, foi interpretada como uma indireta ao enteado, que negou qualquer envolvimento nas festas. Garotinho, por sua vez, esclareceu que Flávio Bolsonaro não aparece nas imagens que ele alega ter visto. Essa tática de gerar burburinho e se posicionar como detentor de informações privilegiadas parece ser parte de sua estratégia para capturar a atenção do eleitorado.
Paralelamente a essa investida midiática, Garotinho obteve uma importante vitória jurídica em março, quando o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou sua condenação no âmbito da Operação Chequinho. O ex-governador havia sido condenado pela Justiça Eleitoral a 13 anos de prisão sob a acusação de compra de votos nas eleições municipais de 2016, em troca de benefícios do programa social Cheque Cidadão. A decisão de Zanin, proferida em um habeas corpus, baseou-se no entendimento de que a condenação utilizou provas consideradas ilícitas pelo Supremo, obtidas a partir da extração de dados de computadores da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social de Campos dos Goytacazes (RJ). Essa anulação remove um dos principais obstáculos legais à sua elegibilidade, pavimentando o caminho para sua nova corrida eleitoral.
A candidatura de Garotinho promete agitar as eleições de 2026 no Rio de Janeiro, trazendo para o debate não apenas propostas de governo, mas também a complexidade de sua trajetória política e legal. Para acompanhar de perto todos os desdobramentos dessa e de outras notícias relevantes, continue conectado ao M1 Metrópole. Nosso portal oferece uma cobertura aprofundada e contextualizada sobre os temas que impactam o Brasil e o mundo, com o compromisso de levar informação de qualidade até você.