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Candidaturas femininas: partidos reforçam fiscalização e apoio para evitar fraudes eleitorais

Candidaturas femininas: partidos reforçam fiscalização e apoio para evitar fraudes eleitorais
21.set.22/Folhapress

Em um movimento crucial para a integridade do processo eleitoral e a promoção da representatividade feminina, partidos políticos brasileiros estão implementando novas estratégias para fiscalizar e apoiar as candidaturas femininas. A iniciativa surge em resposta a históricos casos de fraude à cota de gênero, que têm minado a efetividade da legislação destinada a garantir a participação das mulheres na política.

O cenário político nacional, marcado pela sub-representação feminina, exige ações concretas. A legislação eleitoral brasileira, por meio da Lei 9.504/97, estabelece que cada partido ou coligação deve preencher um mínimo de 30% e um máximo de 70% das vagas com candidaturas de cada sexo. Contudo, a aplicação dessa regra tem sido desafiadora, com a ocorrência de candidaturas “laranjas” – mulheres inscritas apenas para cumprir a cota, sem real intenção de campanha ou apoio financeiro.

Acordo com o TSE impulsiona novas medidas

A urgência em combater essas práticas foi reforçada em junho, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) firmou um acordo com dirigentes políticos. Nesse pacto, os partidos se comprometeram a cumprir rigorosamente as cotas não apenas para mulheres, mas também para candidatos pretos e indígenas, sinalizando um esforço conjunto para tornar as eleições mais inclusivas e transparentes.

Entre os oito partidos com maior representatividade na Câmara dos Deputados, MDB e União Brasil se destacam por já terem formalizado mecanismos internos para incentivar e fiscalizar as candidaturas femininas. Essas ações visam garantir que as mulheres não apenas figurem nas listas, mas tenham condições reais de competir e serem eleitas.

MDB e União Brasil detalham estratégias de apoio

O MDB, em reunião de sua executiva nacional realizada em 11 de junho, definiu a contratação de serviços especializados para auxiliar as candidatas. Essa medida inclui assessoria contábil e jurídica eleitoral, oferecendo suporte na elaboração da prestação de contas, orientação sobre arrecadação e aplicação de recursos, além da emissão de pareceres técnicos. O objetivo é desonerar as candidatas de complexidades burocráticas, permitindo que foquem na campanha e garantindo a conformidade legal de suas finanças.

Já o União Brasil aposta na capacitação como ferramenta fundamental. O partido desenvolverá cursos abrangentes que abordarão temas cruciais para o sucesso de uma campanha eleitoral. Entre os tópicos estão financiamento de campanha, o uso estratégico da inteligência artificial, registro de candidatura, combate à violência política, e a organização eficiente do tempo e da jornada de rua. Essa formação visa empoderar as mulheres com o conhecimento e as ferramentas necessárias para enfrentar os desafios do pleito.

Posicionamento dos demais partidos e o desafio da transparência

A coluna questionou, em 15 de maio, os oito maiores partidos da Câmara – PL, PT, União Brasil, PSD, PP, Republicanos, MDB e Podemos – sobre suas iniciativas. Além do MDB e do União, o Podemos se manifestou, reforçando seu compromisso com a transparência como um de seus pilares desde a fundação.

O PSD, por sua vez, informou que as candidaturas são definidas com autonomia pelas convenções estaduais, sempre em conformidade com a legislação vigente. O partido destacou que as transferências financeiras serão realizadas diretamente da instância nacional para os candidatos e candidatas habilitados, buscando maior controle e rastreabilidade dos recursos. Por outro lado, PL, PT, PP e Republicanos não se manifestaram até a publicação desta reportagem, deixando em aberto suas estratégias para o tema.

A efetiva fiscalização e o apoio genuíno às candidaturas femininas são pilares para a construção de uma democracia mais justa e representativa no Brasil. A atuação dos partidos, em conjunto com a vigilância do TSE e da sociedade civil, é essencial para transformar a cota de gênero de uma mera formalidade em um instrumento real de inclusão e fortalecimento da participação das mulheres na política. É um passo fundamental para que a diversidade da população brasileira se reflita, de fato, nas casas legislativas e nos cargos eletivos.

Para aprofundar-se nas regras e na importância da participação feminina nas eleições, consulte o site oficial do Tribunal Superior Eleitoral.

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