O mercado financeiro brasileiro encerrou a semana sob o impacto de um cenário global de incertezas. Nesta sexta-feira, o dólar registrou uma leve alta frente ao real, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, interrompeu uma sequência de três semanas de ganhos, fechando com estabilidade. Paralelamente, os preços do petróleo dispararam quase 5%, impulsionados pela escalada do conflito no Oriente Médio e por um pessimismo crescente em relação a empresas de inteligência artificial, fatores que moldaram as negociações em todo o planeta.
A valorização do petróleo, embora tenha amenizado as perdas da moeda brasileira e sustentado as ações da Petrobras, não foi suficiente para evitar a queda geral da bolsa. Investidores reagiram à intensificação de tensões geopolíticas e a movimentos no setor de tecnologia, buscando refúgio em ativos considerados mais seguros e reavaliando perspectivas de risco.
Câmbio sob pressão global
O dólar acompanhou o fortalecimento da moeda estadunidense diante das divisas de países emergentes, em uma sessão dominada pela aversão ao risco. A intensificação dos confrontos entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio elevou a procura por ativos considerados mais seguros, favorecendo a moeda norte-americana, que se valorizou globalmente.
A divisa chegou a atingir a máxima de R$ 5,133 por volta das 10h30, mas perdeu parte da força ao longo da tarde, encerrando o dia cotada a R$ 5,111, com uma alta de 0,24%. Apesar do movimento de alta pontual, na semana, a variação do dólar foi praticamente nula. Em julho de 2026, a moeda acumula uma desvalorização de 1% frente ao real, e no acumulado do ano, a queda é de 6,88%.
Mesmo com o cenário externo desfavorável, o real demonstrou um desempenho relativamente melhor que o de outras moedas emergentes. O avanço das cotações do petróleo beneficiou a perspectiva para os termos de troca do Brasil, um importante exportador da commodity, o que ajudou a reduzir parte da pressão cambial. A questão do aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros permaneceu em segundo plano para os investidores neste dia, ofuscada pelas preocupações geopolíticas.
Ibovespa em meio a cenário incerto
O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou a sexta-feira com uma leve queda de 0,06%, aos 173.714,08 pontos, confirmando a primeira perda semanal em um mês. O índice chegou a operar em alta durante parte do pregão, mas perdeu força à medida que os juros futuros avançaram e as ações ligadas ao consumo passaram a liderar as perdas.
O desempenho positivo da Petrobras, impulsionado pela valorização do petróleo, foi crucial para limitar as perdas do índice. Em contrapartida, ações de grandes bancos recuaram em bloco, enquanto empresas dos setores de varejo, construção civil e educação figuraram entre as maiores baixas do dia, refletindo a cautela dos investidores.
Além da tensão geopolítica, os investidores também acompanharam a desaceleração da atividade econômica brasileira, medida pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de maio, que registrou um crescimento de apenas 0,1%. Os efeitos do aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros também foram considerados, embora com menor peso no dia.
No exterior, a queda das ações de fabricantes de chips e empresas ligadas à inteligência artificial pressionou os mercados globais. Esse movimento reforçou a migração de capital para ativos com risco menor, evidenciando a cautela dos investidores diante das incertezas tecnológicas e econômicas.
Petróleo dispara com conflito no Oriente Médio
Os contratos internacionais de petróleo registraram uma forte alta, impulsionados pela intensificação dos ataques entre Estados Unidos e Irã. A situação elevou as preocupações com possíveis interrupções no transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de exportação de petróleo do mundo, crucial para o abastecimento global.
O barril do tipo Brent, referência para a Petrobras, avançou 4,59%, encerrando o dia cotado a US$ 88,10. Já o barril WTI, do Texas, subiu 4,48%, para US$ 82,49. Ambas as referências acumulam uma valorização próxima de 16% na semana, refletindo o receio de que a escalada do conflito provoque novos choques de oferta.
Essa alta nos preços da energia tem potencial para manter elevada a pressão sobre a inflação global e influenciar as expectativas para a política monetária das principais economias, tornando o cenário ainda mais complexo para bancos centrais e governos ao redor do mundo.
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