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Queda de cabelo no inverno: a conexão inesperada com infecções respiratórias

Queda de cabelo no inverno: a conexão inesperada com infecções respiratórias
Reprodução Folha

Com a chegada do inverno, a paisagem muda, as temperaturas caem e, inevitavelmente, a incidência de infecções respiratórias como influenza, Covid-19 e resfriados comuns dispara. Além dos sintomas gripais conhecidos, um efeito menos óbvio, mas igualmente preocupante, pode surgir meses após a recuperação: a queda de cabelo intensa. Esse fenômeno, que muitas vezes confunde os pacientes, revela uma complexa interação entre o estado inflamatório do organismo e o ciclo de vida dos fios.

A relação entre a estação fria e a saúde capilar não é uma simples equação de temperatura. Embora alguns estudos sugiram uma variação sazonal no ciclo capilar, com mais fios entrando na fase de queda em certos períodos do ano, o principal catalisador para a perda acentuada de cabelo durante o inverno está ligado às doenças que o acompanham. O corpo, ao combater uma infecção, entra em um estado de estresse metabólico e inflamação que pode desregular o delicado equilíbrio dos folículos capilares.

Queda de Cabelo: O Eflúvio Telógeno em Detalhes

O quadro de queda de cabelo pós-infecção é tecnicamente conhecido como eflúvio telógeno, uma das causas mais comuns de perda temporária de fios. Durante uma infecção sistêmica, o organismo prioriza a defesa e a recuperação, sinalizando aos folículos capilares que o crescimento dos fios não é a demanda mais urgente naquele momento. Como resultado, muitos fios que estariam em sua fase anágena (crescimento) são prematuramente empurrados para a fase telógena (repouso e queda).

A dermatologista Natalia Cymrot, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Regional São Paulo (SBD-SP), explica que infecções com potencial de causar intensa inflamação, como a Covid-19, influenza e até infecções bacterianas, frequentemente cursam com eflúvio telógeno. É um mecanismo de defesa do corpo que, embora natural, pode ser bastante angustiante para quem o experimenta.

O Intervalo Silencioso: Por Que a Queda Demora a Aparecer?

Um dos aspectos mais intrigantes e, por vezes, mais confusos para os pacientes é o intervalo entre a infecção e o início da queda capilar. Diferente de outros sintomas que surgem durante a doença, o eflúvio telógeno manifesta-se com um atraso significativo. A dermatologista e tricologista Bárbara Miguel, do Einstein Hospital Israelita, esclarece que a queda geralmente começa cerca de três meses após a infecção.

Esse período corresponde ao tempo necessário para que os folículos capilares completem a transição para a fase de queda. Por ocorrer meses depois da recuperação, muitos pacientes não associam imediatamente a perda de fios à doença pregressa. É comum que a conexão seja feita apenas durante a consulta médica, quando o histórico recente de saúde é investigado. Em casos de infecções mais graves, a queda pode surgir um pouco antes, mas o padrão de dois a quatro meses pós-doença é o mais comum.

Recuperação e Sinais de Alerta para a Saúde Capilar

A boa notícia é que, na maioria das vezes, o eflúvio telógeno é um quadro transitório e autolimitado. A queda costuma durar entre três e seis meses, e a recuperação ocorre gradualmente. O mais importante é aguardar a normalização do ciclo capilar, permitindo que os fios voltem a crescer. No entanto, a recuperação completa do volume capilar pode ser mais demorada, levando até um ano, uma vez que os novos fios precisam de tempo para se desenvolverem.

O tratamento foca em identificar e corrigir fatores que possam agravar ou prolongar o quadro, como deficiências nutricionais (especialmente de ferro), alterações hormonais ou outras condições de saúde. É fundamental procurar avaliação especializada se a queda persistir por muitos meses, se houver redução progressiva do volume, afinamento dos fios, surgimento de falhas localizadas ou sinais inflamatórios no couro cabeludo.

Conforme alerta Bárbara Miguel, nem toda queda de cabelo é um eflúvio telógeno. Outras causas, como alopecia androgenética, alopecia areata ou deficiências nutricionais, podem estar envolvidas e exigem tratamentos específicos. O diagnóstico correto é crucial para diferenciar uma queda transitória de condições que demandam acompanhamento a longo prazo. Para mais informações sobre saúde da pele e cabelos, consulte a Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Entender a complexidade da relação entre as infecções respiratórias do inverno e a saúde capilar é um passo importante para lidar com a preocupação da queda de cabelo. O M1 Metrópole está comprometido em trazer informações relevantes e contextualizadas para o seu dia a dia, ajudando você a compreender melhor os desafios da saúde e do bem-estar. Continue acompanhando nosso portal para mais análises e reportagens que fazem a diferença.

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