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PF caça líderes foragidos de rede do PCC alvo de sanções dos EUA por lavagem de dinheiro

ária, três seguem foragidos. 📱 Favorite o g1 no Google e acompanhe as principai
Reprodução G1

Uma vasta operação da Polícia Federal, batizada de Exchange, foi deflagrada nesta sexta-feira (3) com o objetivo de desmantelar uma complexa organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro oriundo do tráfico internacional de drogas. A ação, que mobilizou agentes em diversas localidades, resultou no cumprimento de sete dos 11 mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça. No entanto, três figuras-chave da rede permanecem foragidas, intensificando a caçada das autoridades.

Os foragidos são Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como o líder do esquema, Romany Cutolo Bonente, conhecido como “Roma”, e Diego Lameiro Diz. A operação ganhou um novo e urgente contorno após o governo dos Estados Unidos impor sanções a indivíduos e empresas brasileiras na última quarta-feira (1º), acelerando a ação da PF e revelando a dimensão transnacional do problema.

A Operação Exchange e os Alvos Foragidos

A Operação Exchange mirou uma estrutura sofisticada de lavagem de dinheiro que utilizava diversas estratégias para ocultar a origem ilícita dos recursos. Além dos mandados de prisão, a Justiça determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados, totalizando um montante impressionante de R$ 10,4 bilhões. Treze mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços na capital paulista, em Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba.

Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que também foi alvo das sanções americanas por sua suposta ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Stella, que não possuía antecedentes criminais, é parente de Shimada e atuava como sua secretária, organizando a coleta de grandes quantias em dinheiro e fornecendo serviços logísticos essenciais para a rede de lavagem. Para despistar as autoridades, os investigados usavam apelidos: Shimada era “o Japa” e Stella, “Lara Croft”.

A Rede de Lavagem de Dinheiro do PCC e as Sanções dos EUA

As sanções impostas pelo Departamento do Tesouro norte-americano, formalizadas em 1º de julho de 2026, marcaram a primeira rodada de punições econômicas do governo Trump contra alvos brasileiros após classificar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas internacionais em junho. Essas medidas bloqueiam os bens dos alvos nos Estados Unidos e de qualquer empresa que pertença, direta ou indiretamente, em 50% ou mais, às pessoas punidas.

Victor Shimada, o principal foragido, foi classificado pelos EUA como um “elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais”. Ele é acusado de lavar mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) em recursos ilícitos gerados em várias cidades americanas, utilizando criptomoedas para transferir os valores de volta ao Brasil em nome do PCC. O governo americano reitera que o PCC é a “maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental” e representa uma “ameaça significativa à segurança nacional dos EUA”.

Os Papéis Cruciais na Engrenagem da Lavagem

A investigação detalha as funções específicas de cada foragido na complexa teia de lavagem de dinheiro. Romany Cutolo Bonente, um advogado conhecido como “Roma”, é apontado pela PF como operador financeiro e intermediário de alto nível entre Victor Shimada e integrantes de organizações criminosas, incluindo o PCC. Ele também era responsável por gerir conflitos e cobranças envolvendo as operações financeiras do grupo, com um áudio judicial o citando ao tratar do envio de R$ 100 mil a um delegado.

Diego Lameiro Diz é descrito como outro operador financeiro do grupo, encarregado de dar suporte à lavagem de dinheiro através da criação de empresas de fachada tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Além disso, a PF suspeita que ele participava da comercialização de alho produzido em Mendoza, na Argentina, uma atividade que teria sido utilizada para movimentar e ocultar recursos ilícitos da organização criminosa, demonstrando a diversidade de métodos empregados para a dissimulação.

Conexões Nacionais: O Caso VaideBet e Outras Investigações

A atuação de Victor Shimada não se restringe ao cenário internacional. No Brasil, ele é investigado por suspeita de participação em operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao polêmico caso VaideBet, que apura desvios de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas. A denúncia do Ministério Público, aceita pela Justiça, indica que a empresa Victory Trading, ligada a Shimada, manteve intensa movimentação financeira com a Wave Intermediações e Tecnologias Ltda., apontada como uma das empresas de fachada.

A apuração identificou uma cadeia financeira complexa: Corinthians → Rede Social Media Design → Neoway → Wave → UJ Football Talent. Paralelamente, investigadores notaram transferências da Victory Trading para a UJ Football Talent, empresa já citada em outras investigações policiais. Shimada, que já esteve em prisão domiciliar em 2025 em um processo com o BV (antigo Banco Votorantim), foi denunciado pelo Ministério Público por lavagem de dinheiro, consolidando seu histórico de envolvimento em esquemas financeiros ilícitos.

Repercussão e os Próximos Passos da Investigação

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, revelou que as sanções dos Estados Unidos foram um fator decisivo para a antecipação da Operação Exchange. Segundo ele, o desfecho da ação poderia ter sido diferente caso a imposição das sanções não tivesse sido anunciada, evidenciando a coordenação e a relevância da cooperação internacional no combate ao crime organizado.

A defesa de Victor Shimada, representada pelo advogado Yuri Cruz, informou que ainda não teve acesso às decisões judiciais e aos elementos que fundamentaram as medidas adotadas, mas que está analisando a possibilidade de seu cliente se entregar às autoridades. A busca pelos foragidos continua, e a operação ressalta a capacidade de redes criminosas transnacionais de explorar sistemas financeiros e a importância de uma resposta coordenada entre diferentes países para desarticulá-las. O M1 Metrópole seguirá acompanhando os desdobramentos desta importante investigação, trazendo as informações mais recentes e o contexto necessário para que você, leitor, esteja sempre bem informado sobre os fatos que impactam a sociedade. Continue conosco para mais análises e notícias aprofundadas.

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