O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentou nesta quarta-feira, 1º de novembro, o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), uma iniciativa ambiciosa que propõe 187 projetos estruturantes para revolucionar o transporte público nas 21 regiões metropolitanas mais populosas do país. Com um investimento estimado entre R$ 400 bilhões e R$ 430 bilhões, a meta é expandir a rede de transporte em mais de 3 mil quilômetros, impactando diretamente a qualidade de vida de milhões de brasileiros.
Realizado em parceria com o Ministério das Cidades entre 2024 e 2026, o ENMU não se limita a números. Ele representa um planejamento estratégico de longo prazo, com projeções populacionais e de demanda para os próximos 30 anos, visando não apenas aprimorar a infraestrutura, mas também promover a segurança no trânsito, gerar renda e contribuir significativamente para a redução das emissões de gás carbônico na atmosfera.
Um novo horizonte para a mobilidade urbana brasileira
A iniciativa do BNDES e do Ministério das Cidades surge como uma resposta robusta aos desafios crônicos da mobilidade urbana no Brasil. O estudo detalha investimentos em diversas modalidades, incluindo a expansão de metrôs, trens urbanos, BRTs (Bus Rapid Transit), VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos) e corredores de transporte. Essas intervenções são cruciais para desafogar o trânsito, reduzir o tempo de deslocamento e oferecer alternativas mais eficientes e sustentáveis à população.
Um exemplo concreto da visão do estudo é o projeto de expansão da rede de transporte de Belo Horizonte, em Minas Gerais. A capital mineira verá sua rede atual de 84,2 quilômetros ser ampliada para 314,1 quilômetros, um aumento de 229,9 quilômetros, com investimentos de R$ 35,6 bilhões. Este é apenas o primeiro de muitos empreendimentos que o BNDES poderá financiar, inclusive por meio do Fundo Clima, uma linha dedicada a projetos de redução de emissões e adaptação às mudanças climáticas.
Impacto social e ambiental: além do asfalto e dos trilhos
Os benefícios esperados do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana transcendem a mera infraestrutura. Nelson Barbosa, diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, enfatizou que os projetos mapeados servirão como guia para as ações do governo federal, estados e municípios na área de transporte. O ministro das Cidades, Vladimir Lima, comparou o estudo a um “Minha Casa Minha Vida para a mobilidade urbana”, ressaltando a vertente social da iniciativa.
Segundo o ministro, a melhoria da mobilidade significa “devolver tempo para as pessoas estudarem, trabalharem e ficarem com suas famílias”, além de oferecer segurança, conforto e previsibilidade. O estudo, portanto, é uma ferramenta estratégica para fortalecer a política nacional de mobilidade urbana, apoiando a estruturação de projetos que considerem não só aspectos econômicos e climáticos, mas também o bem-estar social.
Quebrando o ciclo vicioso do subinvestimento
Luciene Machado, superintendente da Área de Soluções para as Cidades do BNDES, destacou que um dos objetivos centrais do ENMU é interromper o ciclo vicioso de subinvestimento na mobilidade urbana. Atualmente, os investimentos no setor representam apenas 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, um montante insuficiente para as necessidades crescentes das cidades. O estudo projeta um potencial de investimento de 0,25% do PIB, o que equivaleria a R$ 20 bilhões por ano.
A superintendente apontou que os 187 projetos são “exequíveis” e podem ser implementados em cerca de 15 anos. Entre os principais ganhos, estão a redução de 15% no tempo de deslocamento, o aumento no número de embarques diários, uma taxa de retorno econômico positiva e a diminuição de 11% no custo operacional por viagem. Além disso, a iniciativa prevê evitar a emissão de 3 milhões de toneladas de CO₂ por ano, aumentar em 30% a acessibilidade e prevenir mais de 27 mil vítimas anuais em sinistros de trânsito.
Geração de empregos e fomento à indústria nacional
A implementação desses projetos terá um impacto significativo na geração de empregos e no fomento à indústria. Durante o período de execução, estima-se a mobilização de mais de 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos por ano. A demanda por veículos também será expressiva, com a previsão de aquisição de até 6,6 mil ônibus elétricos, 2,4 mil carros metroferroviários e 600 composições de VLT.
O financiamento dos 187 projetos será majoritariamente público, com 80% dos investimentos provenientes de recursos governamentais, e os 20% restantes de parcerias com a iniciativa privada. A estruturação desses projetos também buscará a integração tarifária e a bilhetagem unificada, elementos essenciais para a eficiência e atratividade do sistema de transporte público.
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