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Moradores do Butantã lutam para preservar praça com Mata Atlântica de projeto da prefeitura

na Zona Oeste de São Paulo Leonardo Zvarick/g1
Reprodução G1

Conflito entre preservação ambiental e políticas públicas na Zona Oeste

A Praça Kaol Sugimoto, localizada no bairro do Butantã, na Zona Oeste de São Paulo, tornou-se o epicentro de um embate entre a gestão municipal e a comunidade local. O terreno, que abriga um fragmento de Mata Atlântica com cobertura vegetal densa, foi escolhido pela prefeitura para a instalação de um novo Centro Municipal para Pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). A notícia da possível supressão de dezenas de árvores no local mobilizou moradores, que buscam alternativas para a construção do equipamento sem comprometer a área verde.

A preocupação dos frequentadores aumentou após a instalação de tapumes na área de aproximadamente 9 mil metros quadrados, no dia 22 de junho. Relatos de moradores indicam que 117 árvores foram marcadas com tinta vermelha, procedimento comumente associado à sinalização para corte. Além disso, a retirada da praça do sistema Geosampa, plataforma de dados georreferenciados da prefeitura, alimentou o receio de que a intervenção seja irreversível.

A importância ecológica e comunitária da Praça Kaol Sugimoto

Para além do valor paisagístico, o espaço desempenha funções ambientais críticas. A praça integra a bacia hidrográfica do córrego Pirajuçara, afluente do Rio Pinheiros, e atua como uma importante área de drenagem natural, essencial para o controle de enchentes na região. A biodiversidade local, que inclui espécies como saguis e tucanos, também está no centro do debate sobre a preservação do fragmento florestal.

A comunidade destaca o histórico de ocupação da área. Prevista desde o loteamento do Jardim Rolinópolis em 1952 como um espaço reservado para jardim, a praça foi oficializada com o nome de Kaol Sugimoto em 1999. Educadores ambientais e famílias que utilizam o local para atividades de lazer e conexão com a natureza reforçam que a praça é um patrimônio consolidado, plantado e cuidado pelos próprios moradores ao longo das últimas décadas.

Disputa judicial e questionamentos sobre o projeto

A resistência à obra chegou ao Poder Judiciário. Parlamentares de oposição protocolaram ações populares pedindo a suspensão imediata de qualquer intervenção no terreno. Entre os argumentos centrais, as ações apontam a ausência de estudos de impacto ambiental (EIA/RIMA) e a falta de audiências públicas, etapas consideradas obrigatórias para empreendimentos dessa magnitude. Os autores também questionam a legalidade da alteração da destinação do bem público sem autorização legislativa específica.

A vereadora Silvia Ferraro, da Bancada Feminista do PSOL, sustenta que o projeto viola a Lei da Mata Atlântica, que restringe a supressão de vegetação em áreas de floresta ombrófila densa. Enquanto isso, a prefeitura, por meio de nota oficial, afirmou que a implantação do Centro TEA está sendo reavaliada. O governo municipal nega que exista uma decisão tomada sobre o corte de árvores e classifica como “irresponsável” a divulgação de informações que antecipem a derrubada da vegetação.

O futuro do atendimento especializado na capital

O projeto do Centro TEA Oeste, com contrato assinado no valor de R$ 69 milhões, prevê uma estrutura robusta com salas de aula, biblioteca, brinquedoteca, piscina e quadra esportiva, com capacidade para até 45 mil atendimentos mensais. A prefeitura defende a escolha do local pela facilidade de acesso e pela dimensão do terreno. O Plano de Metas da gestão prevê a construção de quatro unidades até 2028, sendo a primeira inaugurada em abril de 2025, na Zona Norte.

O impasse permanece sem uma resolução definitiva, enquanto a comunidade aguarda um posicionamento claro da Procuradoria-Geral do Município sobre as ações judiciais. O caso ilustra o desafio de conciliar a expansão de serviços públicos essenciais, como o atendimento a pessoas neuroatípicas, com a manutenção de áreas verdes urbanas, cada vez mais escassas e fundamentais para a resiliência climática da metrópole.

Para acompanhar os desdobramentos deste caso e outras notícias relevantes sobre a capital paulista, continue acessando o M1 Metrópole. Nosso compromisso é levar até você informações apuradas, contextualizadas e essenciais para a compreensão dos desafios da nossa cidade.

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