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Superior Tribunal de Justiça exige protocolo para atuação da PM em manifestações em São Paulo

jo/g1
Reprodução G1

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) deu um passo significativo na regulamentação da atuação policial em eventos públicos, ao determinar que o governo de São Paulo elabore um protocolo detalhado para a Polícia Militar (PM) em manifestações. A decisão, tomada por unanimidade pela Primeira Turma do STJ, representa um marco na busca por equilíbrio entre a manutenção da ordem pública e a garantia dos direitos fundamentais dos cidadãos.

A medida estabelece um prazo de 60 dias corridos, após a conclusão de um diagnóstico inicial, para que o estado apresente o plano. Este protocolo não apenas deverá ser aprovado, mas também acompanhado de perto pela Justiça, sublinhando a seriedade e a necessidade de fiscalização contínua sobre as práticas policiais em contextos de protesto.

A Decisão do STJ e Seus Fundamentos Jurídicos

A determinação do STJ é resultado de uma ação civil pública movida pela Defensoria Pública de São Paulo. O colegiado entendeu que o governo estadual foi omisso ao não estabelecer regras claras e abrangentes para a atuação da PM em protestos, justificando assim a intervenção do Poder Judiciário em uma área que, à primeira vista, poderia ser considerada de formulação de políticas públicas.

Anteriormente, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) havia rejeitado a ação, argumentando que o Judiciário não deveria interferir em políticas de segurança. Contudo, o STJ reformou essa decisão, reafirmando a prerrogativa judicial de garantir que as ações estatais estejam em conformidade com a Constituição e os direitos humanos.

O ministro Paulo Sérgio Domingues, relator do processo, enfatizou que o objetivo da ação não é impedir a atuação policial, mas sim estabelecer balizas claras. “A pretensão da Defensoria Pública estadual não visa impedir a atuação estatal, mas trazer balizas orientadoras para delimitação de situações em que a força policial poderá e deverá agir, privilegiando o uso proporcional e progressivo da força”, afirmou o ministro.

Ele ressaltou que a decisão não concede um aval ao exercício irrestrito do direito de manifestação, mas busca adequar os protocolos da Polícia Militar para assegurar tanto a preservação da ordem pública quanto os direitos fundamentais dos manifestantes, como a liberdade de expressão e a participação política.

Diretrizes Essenciais para o Novo Protocolo PM

Entre as diretrizes que deverão ser incorporadas ao novo protocolo PM, destacam-se a proibição do uso de armas de fogo fora das hipóteses estritamente previstas em lei. Além disso, o documento deverá definir parâmetros claros para o emprego proporcional e progressivo da força policial durante as manifestações.

A implementação dessas normas visa coibir abusos e garantir que a resposta policial seja sempre adequada à situação, evitando escaladas desnecessárias de violência. A clareza nas diretrizes é crucial para que tanto os agentes de segurança quanto os manifestantes compreendam os limites e as responsabilidades de cada parte em um protesto.

Histórico de Abusos e a Luta por Direitos Civis

A ação da Defensoria Pública foi motivada por um histórico de denúncias de abusos cometidos pela Polícia Militar em atos públicos. Entre as queixas, estavam detenções consideradas indevidas, uso excessivo da força, lançamento indiscriminado de bombas de efeito moral e disparos de balas de borracha sem justificativa aparente.

O ministro relator, ao analisar o caso, citou episódios marcantes ocorridos entre 2011 e 2013, durante protestos do Movimento Passe Livre e da Marcha da Maconha. Ele também mencionou as ocupações de escolas estaduais por estudantes em 2015, quando houve registros do uso de spray de pimenta, cassetetes e bombas de gás contra adolescentes, evidenciando a necessidade de revisão das táticas empregadas.

No voto, o ministro Domingues sublinhou que a Constituição Federal garante o direito à manifestação pacífica e que cabe às forças de segurança avaliar, de forma criteriosa, quando há risco que justifique operações de choque. Ele argumentou que as normas vigentes eram insuficientes para prevenir abusos, comprometendo direitos fundamentais como a liberdade de expressão e o direito de crítica.

Implicações e Desafios para a Segurança Pública em São Paulo

A decisão do STJ aponta para um problema estrutural na atuação policial em manifestações, caracterizado pela ausência de mecanismos transparentes de controle e responsabilização. O ministro relator defendeu a necessidade de mudanças organizacionais, normativas e operacionais, todas acompanhadas pelo Poder Judiciário, para garantir a efetividade do protocolo PM.

Para o governo de São Paulo e a Secretaria da Segurança Pública, a determinação representa um desafio significativo na revisão de suas práticas e na elaboração de um plano que atenda às exigências da Justiça e da sociedade. Até a última atualização desta reportagem, as autoridades estaduais não haviam se manifestado sobre a decisão.

Este julgamento reforça a importância do Poder Judiciário como guardião dos direitos e liberdades civis, especialmente em contextos de tensão social. A criação de um protocolo claro e fiscalizado para a PM em manifestações é um passo fundamental para fortalecer a democracia e a confiança nas instituições em São Paulo e no Brasil.

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