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Fibermaxxing: entenda os riscos e benefícios da nova tendência de consumo de fibras

Orendesain99/Adobe Stock
Reprodução Folha

A ascensão do fibermaxxing nas redes sociais

O universo das dietas digitais ganhou um novo protagonista: o fibermaxxing. Originado em comunidades de jogos online e adaptado para o vocabulário de bem-estar nas redes sociais, o termo segue a lógica do “maxxing” — a busca obsessiva por maximizar resultados através de uma prática específica. Após o sucesso do consumo elevado de proteínas, a nova onda agora coloca as fibras no centro das atenções, incentivando uma ingestão massiva desses nutrientes.

Embora a ciência reconheça o papel fundamental das fibras na saúde humana, especialistas alertam que a transposição de conceitos de otimização de performance para a rotina alimentar pode esconder riscos. O entusiasmo das redes sociais, muitas vezes desprovido de acompanhamento profissional, ignora que o equilíbrio é a base da nutrição funcional, e que o excesso pode transformar um aliado do organismo em um fator de desconforto clínico.

O papel das fibras e os perigos do exagero

As fibras são polímeros de carboidratos complexos que resistem às enzimas digestivas, chegando ao intestino grosso praticamente intactas. Elas são essenciais para o controle da glicemia, a regulação do colesterol e a promoção da saciedade. No entanto, o médico nutrólogo Celso Cukier, do Einstein Hospital Israelita, faz um alerta crucial: sem a hidratação adequada, o consumo excessivo de fibras pode causar dores abdominais, gases e até mesmo o efeito oposto ao desejado, a constipação.

A falta de água impede que as fibras solúveis formem o gel necessário para o trânsito intestinal, resultando em fezes endurecidas. Além disso, a ingestão desenfreada pode interferir na absorção de minerais vitais, como o cálcio e o ferro. A nutricionista Renata Juliana da Silva, vice-presidente da Associação Paulista de Nutrição (APAN), reforça que “nem sempre mais é melhor”, alertando que o movimento pode se tornar uma tendência extrema e prejudicial.

Diferenciação entre fibras solúveis e insolúveis

Para entender como compor uma dieta saudável, é preciso distinguir os dois grupos de fibras. As solúveis, encontradas em alimentos como aveia, leguminosas e polpa de frutas, dissolvem-se em água e formam um gel que auxilia na redução do apetite e no controle metabólico. Já as insolúveis, presentes em cereais integrais, cascas e folhas verdes, atuam diretamente no volume fecal e na motilidade intestinal, sendo as principais aliadas contra a prisão de ventre.

Estudos recentes, como o publicado no periódico Critical Reviews in Food Science and Nutrition, destacam a importância dos ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), como acetato, propionato e butirato. Produzidos pela fermentação dessas fibras no intestino, eles servem como fonte de energia para as células do cólon e fortalecem a barreira intestinal, prevenindo inflamações e protegendo a circulação sanguínea contra agentes nocivos.

Estratégias para uma ingestão equilibrada

Apesar dos riscos do exagero, a tendência traz um ponto positivo: o foco em um nutriente que a maioria da população brasileira consome em níveis abaixo do recomendado. Segundo dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2017–2018) do IBGE, o brasileiro consome em média 15 g de fibras por dia, enquanto a recomendação para adultos varia entre 25 g e 30 g. A estratégia ideal não é a suplementação desenfreada, mas a inclusão consciente de grãos integrais, hortaliças e sementes nas refeições.

Produtos industrializados “enriquecidos” com fibras devem ser vistos com cautela, pois a adição do nutriente não torna um alimento processado automaticamente saudável. A suplementação, por sua vez, deve ser restrita a casos específicos, como gestantes ou idosos, sempre sob supervisão médica. O compromisso com a saúde exige uma dieta variada e informada, longe de modismos que ignoram a complexidade biológica do corpo humano.

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