Clima de tensão interrompe júri popular
O julgamento dos três policiais militares acusados do assassinato do empresário Antônio Vinícius Gritzbach e do motorista de aplicativo Celso Araujo Sampaio de Novais, ocorrido no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, foi abruptamente anulado nesta segunda-feira (22). O que deveria ser o início de uma maratona de cinco dias de depoimentos transformou-se em um impasse jurídico após um bate-boca generalizado entre o promotor de Justiça e a banca de defesa dos réus.
A sessão, realizada no Fórum Criminal de Guarulhos, foi encerrada após uma série de provocações mútuas que tornaram insustentável a continuidade dos trabalhos. Agora, o Poder Judiciário deverá agendar uma nova data para o júri, o que exigirá um novo sorteio dos jurados que comporão o Conselho de Sentença, formado originalmente por quatro homens e três mulheres.
O estopim da confusão no plenário
O conflito teve início durante o depoimento de um perito criminal, a quarta testemunha ouvida no dia. O advogado Renan Canto, que integra a defesa, questionava a testemunha quando foi interrompido pelo promotor Rodrigo Merli Antunes. O representante do Ministério Público acusou a defesa de desconhecer o conteúdo dos autos, desencadeando uma reação imediata dos advogados dos policiais.
A situação escalou rapidamente quando o promotor afirmou que a defesa conversava com “bandido” e “matador de aluguel”. Em resposta, o advogado Claudio Dalledone classificou a postura do promotor como “cínica” e “descortês”, ameaçando abandonar o plenário caso não houvesse uma retratação ou intervenção do juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo. A troca de ofensas, que incluiu o uso de termos como “gatinhos” e “leões” para descrever a atuação dos advogados, selou o destino da sessão.
Contexto e acusações contra os policiais
Os réus no processo são o tenente Fernando Genauro da Silva, o cabo Denis Antonio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues. Eles respondem por homicídio qualificado e tentativas de homicídio. Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime, ocorrido em 2024, teria sido executado com precisão militar, utilizando fuzis de calibres 7.62 e 5.56, conforme apontado pela perícia técnica.
Antes da anulação, o tribunal ouviu seis testemunhas, incluindo vítimas que estavam no aeroporto no momento dos disparos e familiares dos falecidos. O relato de Simone Novais, viúva do motorista Celso, trouxe à tona o drama humano por trás do caso, descrevendo o impacto financeiro e psicológico deixado pela perda do marido, que deixou três filhos. O perito criminal, por sua vez, detalhou a dinâmica dos 27 disparos efetuados, destacando o risco que o ataque representou para outros passageiros e funcionários do terminal.
Perspectivas para o novo julgamento
Enquanto a defesa sustenta a inocência dos policiais e alega que houve um “direcionamento investigativo” por parte das autoridades, o Ministério Público mantém a convicção sobre a autoria do crime. O episódio desta segunda-feira reforça a complexidade e a alta carga emocional que envolvem o caso Gritzbach, um delator ligado a facções criminosas cujo assassinato em um local de grande circulação chocou o país.
A anulação do júri é um revés processual que adia a busca por justiça para as famílias das vítimas. O M1 Metrópole continuará acompanhando os desdobramentos deste caso, trazendo informações atualizadas sobre a nova data do julgamento e os próximos passos da instrução processual. Mantenha-se informado sobre os fatos que impactam a segurança pública e o sistema de justiça no Brasil através de nossas reportagens diárias.
Para mais detalhes sobre o andamento das investigações, consulte a fonte oficial no portal G1.